Artigo de autoria de Reinaldo Azevedo http://veja.abril.com.br/blogs/reinaldo/
Queridos,
Segue um texto longo, longo mesmo. Mas peço que vocês leiam porque se trata da exposição de um método. Demonstro o modo como o oficialismo está tentando calar a imprensa. Com ele, também presto uma homenagem aos repórteres que honram a sua profissão.
*
Há um movimento organizado para desacreditar o jornalismo e intimidar os jornalistas, especialmente os repórteres. Não se trata de nenhuma teoria conspiratória, com personagens secretas a se mover nas sombras. Eu nunca lido com isso. Meus “fantasmas” sempre são de carne e osso. O comandante da operação é até bem conhecido. Chama-se Franklin Martins, ministro da Comunicação Social e responsável último tanto pela área de comunicação propriamente dita como pela distribuição da verba publicitária do governo e de estatais. A manifestação mais visível e virulenta dessa ação é o tal blog da Petrobras. Ele é o melhor exemplo do que pode ser descrito como um método.
Blogueiros a serviço do oficialismo se encarregam, depois, de tentar difamar na rede os veículos da grande imprensa. Muitos deles já passaram por jornais, TVs ou revistas importantes e usam esse passado como prova de autoridade. Seus eventuais leitores se esquecem de perguntar por que, afinal de contas, foram banidos da imprensa de primeira linha e terminam seus dias exercendo este triste papel. Mas não quero me deter nisso agora. Volto à questão do método, não sem antes fazer uma advertência.
Chegou a hora de a chamada grande imprensa se dar conta desse movimento de desmoralização e reagir. Até porque é evidente que as chances de o atual grupo que governa continuar no poder não são pequenas. Mais oito anos na mesma toada, e será abolida a saudável vigilância do poder exercida pela imprensa em qualquer país democrático do mundo. Nesta segunda-feira, uma reportagem pôde ser tomada como estudo de caso. Professores de jornalismo, se ainda os há, deveriam levá-lo para a sala de aula — os que não forem de esquerda, claro, se os houver. Adiante.
A Folha publicou ontem uma reportagem de Fernando Barros de Mello, um jovem repórter muito cuidadoso e cioso dos bons procedimentos da profissão. Leiam a íntegra do que foi publicado. É importante ir até o fim. Reparem quantas são as estranhezas nas quais vocês tropeçam. Volto depois.
A Petrobras pagou, de 2003 a junho deste ano, R$ 203,1 milhões a um grupo de empresas de terceirização de mão de obra de Santo André (Grande ABC) que já utilizou laranjas e tem uma dívida milionária cobrada pela União, entre débitos tributários e previdenciários.
As empresas possuem o mesmo nome -Protemp-, têm fundadores ou sócios em comum, apresentam o mesmo endereço e estão abrigadas no mesmo site da internet.
A própria Petrobras enviou à Folha, em um primeiro momento, os valores como se fossem repassados a uma só empresa. Só depois confirmou que eram três diferentes CNPJs.
Dos 27 contratos com a Petrobras desde 2005, 11 foram por dispensa de licitação e 16 pelo sistema de convite, em que a estatal escolhe as empresas que apresentam propostas.
Segundo a Petrobras, a Protemp é responsável por funcionários que fazem de análise de dados meteorológicos ou fiscalização de topografia até serviços de limpeza e comunicação. A empresa diz não ter contratos com outros órgãos públicos.
Dois CNPJs que receberam verbas da Petrobras estão na Lista de Dívida Ativa da União desde fevereiro de 2009 e não podem obter Certidão Negativa de Débitos, o que impede a contratação. Quem está na lista, diz a Procuradoria Geral da Fazenda Nacional, “não está parcelando, não tem uma decisão judicial favorável (mesmo que liminarmente) e nem efetuou um depósito como forma de garantia, antes de discutir a validade ou não do tributo”.
A reportagem apurou que o primeiro débito previdenciário surgiu em 1999. Hoje, a União cobra dívida de R$ 16,99 milhões. A Protemp diz que os contratos foram feitos porque a empresa questiona débitos na Justiça e está parcelando a dívida. A Petrobras afirma que até o último contrato, de outubro de 2008, toda a documentação estava em ordem.
O grupo Protemp já prestava serviços à Petrobras antes de 2003, mas em volume menor: R$ 19,9 milhões entre 1995 e 2002, no governo Fernando Henrique Cardoso -crescimento de 920,3% em relação ao período da gestão Lula.
Laranjas
As empresas com o nome Protemp pertencem, já pertenceram ou foram fundadas pela empresária Sueli do Espírito Santo, sócia majoritária na Protemp SG Prestação de Serviços, aberta em 1998 em nome de Walter Fabri. À Folha Fabri, que trabalha na empresa até hoje, disse que nunca foi sócio. “Sempre fui funcionário.”
O endereço da sede foi alterado de uma sala em Santana do Parnaíba para o centro de Santo André em 2004. Em 2006, foi aberta a filial do Rio, a cem metros da sede Petrobras.
Na internet, a Protemp diz ter sido fundada em 1987. Na verdade, essa era a Protemp Serviços Empresariais, outra da lista de devedores e que recebeu verbas da Petrobras.
Criada por Sueli do Espírito Santo e Agostinho João Pinheiro (já morto), ela esteve em nome de duas moradoras da periferia de Santo André. Uma delas, Deolinda Malentachi (que também foi sócia de outra Protemp), morreu em novembro de 2007. Ela tinha uma participação majoritária na empresa, de R$ 296 mil. Mas não deixou bens. A documentação mostra que Deolinda deixou o negócio três dias antes de sua morte.
Já a Protemp Consultoria em RH está hoje em nome de ao menos uma laranja. Essa empresa, no entanto, não recebeu da Petrobras.
A Folha localizou, na periferia de Santo André, a aposentada Maria Aparecida da Costa, que aparece como sócia da Protemp Consultoria, mas diz ter sido colocada em uma confusão depois que ela perdeu seus documentos. “Pediram para eu assinar uns papéis”, afirmou.
Maria Aparecida afirmou que, agora, segue orientações de um advogado, que, segundo ela, a procurou há alguns meses. O advogado é Saulo de Lima, de Blumenau (SC). Ex-juiz, foi secretário na gestão do petista Dario Lima e defende o ex-prefeito em outro caso.
Voltei
Barros de Mello fez tudo certo. Ouviu as empresas, inclusive a Petrobras, consultou o cadastro de devedores, procurou os laranjas e falou com eles, evidenciou os procedimentos heterodoxos desses empreendedores. Tudo conforme tem de ser. E quem foi que entrou, então, na arena? O Blog da Petrobras — com os seus satélites fazendo o serviço sujo para tentar desqualificar jornal e jornalista. Publica o blog, sem economizar palavras:
Manchete da Folha está errada
Na matéria “Devedora da União recebe R$ 203 mi da Petrobras” (27/7, pág. A4), a Folha de São Paulo constrói uma tese, a partir de sua manchete, de que a Petrobras fez contratos com empresas devedoras da União. Na verdade, a Petrobras só tem relação comercial atualmente com a Protemp SG Prestação de Serviços, cujo último contrato foi assinado em outubro de 2008, mediante apresentação de todos os documentos exigidos pela legislação vigente.
Vamos ver…
Pra começo de conversa, a Folha de S. Paulo não construiu tese nenhuma. Cadê a tese? Desafio alguém da Petrobras a demonstrá-la. Reportou um fato. A Petrobras pagou mais de R$ 200 milhões a três CNPJs diferentes, todos de empresas com nome Protemp, e duas delas estão na lista de devedores da União. E estão!!! Mas atenção para isto: “Na verdade, a Petrobras só tem relação comercial atualmente com a Protemp SG Prestação de Serviços, cujo último contrato foi assinado em outubro de 2008, mediante apresentação de todos os documentos exigidos pela legislação vigente.”
Ah, bom!!! Ter relações “atualmente” com apenas uma das três esquisitíssimas Protemps não anula as relações passadas com as outras. Ou anula? Os mais de R$ 200 milhões pagos, está claro, referem-se ao período de 2003 a esta data e dizem respeito a todas as empresas. Mas olhem que isso, na minha opinião, nem é o mais importante, embora estatais e governos não possam fazer negócios com devedores da União. A dívida é apenas um dos aspectos da reportagem da Folha. E os outros?
É razoável fazer negócios com empresas que têm tal histórico? Voltem lá ao subtítulo “laranjas”. Vejam como foram constituídas essas empresas. Olhem que maravilha:
“A Folha localizou, na periferia de Santo André, a aposentada Maria Aparecida da Costa, que aparece como sócia da Protemp Consultoria, mas diz ter sido colocada em uma confusão depois que ela perdeu seus documentos. “Pediram para eu assinar uns papéis”, afirmou.
Maria Aparecida afirmou que, agora, segue orientações de um advogado, que, segundo ela, a procurou há alguns meses. O advogado é Saulo de Lima, de Blumenau (SC). Ex-juiz, foi secretário na gestão do petista Dario Lima e defende o ex-prefeito em outro caso.”
Alguém precisa de mais explicações?
O método
Em que consiste o método de intimidação da reportagem? Em ignorar os problemas para os quais não há resposta e em submeter um aspecto ou outro do texto a torções, respondendo àquilo que não foi escrito. Recuperemos mais duas linhas da reposta da Petrobras: “O último contrato foi assinado em outubro de 2008, mediante apresentação de todos os documentos exigidos pela legislação vigente.” O “último” contrato está de acordo com a legislação vigente? E os outros? Barros de Mello, por acaso, referiu-se, em sua reportagem, ao “último contrato”? Mas a mágica do Blog da Petrobras para esconder débitos com a União vem agora.
A mágica
Leiam com atenção este outro trecho da resposta que está no Blog da Petrobras:
A Protemp SG Prestação de Serviços Limitada reiterou hoje, por meio de carta encaminhada à Petrobras, que não tem débito de nenhuma natureza, seja fiscal, previdenciário, com fornecedores ou empregados.
Notaram? Esse é o caso da Protemp SG Prestação de Serviços Limitada. Não se está falando das outras duas Protemps — NÃO POR ACASO, AQUELAS APONTADAS NA REPORTAGEM DA FOLHA. Elas vêm agora:
Durante a vigência dos contratos anteriores com as empresas Protemp SG Mão de Obra Temporária Ltda. e Protemp Sertviços Empresariais Ltda. também não existiam débitos junto ao INSS e FGTS e as certidões negativas foram apresentadas. Portanto, a Petrobras não celebra contratos com empresas devedoras da União.
Viram? Os débitos “não existiam durante a vigência dos contratos”, o que quer dizer que agora existem — como negar o que está na lista oficial? Então vamos ver se nós entendemos direito a situação. Há três Protemps. As três fazem praticamente a mesma coisa e têm uma mesma dona — depois de alguns “laranjas” terem passado por lá. Como duas das Protemps passaram a ter dívidas com a União (e não foi por falta de grana da Petrobras, né?), então há uma terceira Protemp, esta sem dívida. Entenderam ou preciso desenhar? Se esta vier a ter dívida também, faz-se uma quarta Protemp. Não será por falta de Protemp que essa gente vai ficar sem milhão.
E, assim, a Petrobras conclui, somando dois mais dois e encontrando cinco: “Portanto, a Petrobras não celebra contratos com empresas devedoras da União.” ERRADO! Celebra, sim. Celebrou com uma das Protemps, fazendo de conta que as outras, com as quais já havia trabalhado, não existiam.
Na Folha de hoje, há mais informações sobre a Protemp. Ela conta com 336 funcionários atuando na Petrobras, 183 deles só na área de comunicação. Mas a empresa não tem preconceitos. A exemplo das organizações de R. A. Brandão, é polivalente: atua também na área de limpeza, meteorologia e serviços médicos… Se a R. A. Brandão concorria com as Organizações Capivara, do Seu Creysson, esta deixa as Organizações Tabajara no chinelo.
Ah, sim: quase me esqueço de deixar uma vez mais registrado. Um dos funcionários que a Protemp tem na Petrobras é o ex-chefe do Gabinete Regional da Presidência da República em São Paulo e um dos mais próximos seguranças do presidente Luiz Inácio Lula da Silva em campanhas políticas. Seu nome é José Carlos Espinoza, um dos aloprados do escândalo do dossiê. Ele está na área de comunicação, e sua função é fazer a interlocução com os movimentos sociais. Mais um pouco, vão contratar Freud Godoy para a área de psicologia.
Concluindo
O que a Petrobras fez com o texto de Fernando Barros de Mello, chamando de erro uma apuração impecável e submetendo a linguagem a pequenas malandragens para esconder a verdade nas suas dobras, tornou-se uma constante da área de comunicação do governo. Os tontons-maCUTs da Internet se encarregam do resto.
Essa prática tem de ser denunciada. É nefasta para o jornalismo, especialmente se as próprias redações começarem a duvidar da apuração de seus repórteres. Intimidados, estes tenderão a se limitar ao despacho burocrático para que seus respectivos nomes não passem a freqüentar o lixão da Internet.
Que os repórteres resistam; que não cedam à tropa de choque do oficialismo e aos prestadores de serviço a soldo. A reportagem de Fernando Barros de Mello segue intacta, e o Blog da Petrobras, em vez de contestá-la, endossou-a de forma vexaminosa para ela e virtuosa para ele.
quinta-feira, 30 de julho de 2009
terça-feira, 9 de junho de 2009
Petrobras muda ramo de atuação!! A empresa não atua mais na extração e refino de petróleo mas no ramo da comunicação!!!
Esse texto foi enviado para o blog do Reinaldo Azevedo
O que eu tenho a dizer da Petrobras é baseado em uma lembrança de fatos ocorridos alguns anos atrás. Eu estava hospedado no melhor hotel da cidade de Aracaju com muitas estrelas, e o hotel estava lotado de altos funcionários da Petrobrás em um evento da empresa. Segundo me informaram, todas as despesas estavam sendo bancadas pela Petrobras. Desde alimentação no melhor restaurante da cidade, tratamento de beleza para as mulheres dos funcionários com direito a serviços de manicure, cabeleireira e etc...
Nesse dia compreendi por que o Brasil tem a gasolina mais cara do mundo e de lá pra cá as coisas só pioraram. Me pergunto por que uma empresa que praticamente possui o monopólio do petróleo no Brasil tem 1150 funcionários no departamento de comunicação (jornalismo) e 650 advogados e ainda assim contrata empresas de comunicação e advocacia? Duvido que qualquer empresa de comunicação tenha esse número de jornalistas contratados. O objetivo é explorar “Petróleo” ou explorar a comunicação? Será que tem jornalista sujando as mãos de petróleo? Não tenho duvidas que se fosse uma empresa particular concorrendo com outras empresas a nossa gasolina seria muito mais barata. Será que do ponto de vista custo beneficio os brasileiros não teriam muito mais benefícios com um combustível barato? Certamente que sim.
Em vista da farra que eu presenciei no passado e as informações recentes só posso exigir a privatização da “Petrossauro” que já deveria estar extinta. Seguem algumas sugestões para o novo nome da empresa em vista de sua nova atividade de comunicação. Afinal 1150 funcionários, jornalistas, precisam trabalhar. Possivelmente todos que foram aprovados em concurso são muito bons jornalistas então vamos dar trabalho a eles.
Caro Reinaldo segue minhas sugestões de nomes e de uma nova enquete. Tenho certeza que você é muito melhor que eu para criar nomes e acho que seria muito interessante.
Sugestões de nomes:
Petrobras comunicações
Ptbras
Jornalbras
Petrojornalbras
Petrossauro em homenagem ao saudoso Roberto Campos que cunhou o termo
Petrossauronews - variante também em homenagem ao Roberto Campos
Petronewsbras!!! Achei chique misturar inglês e português. Chique do urtimo!!!!
Petronews
Petroção - Junção de Petrobras e comunicação
Petrocao – Junção de Petrobras e comunicação termo ideal para ser usado na era da internet
Petralhobras – em homenagem a leitora Inconformada do artigo anterior (junho 8, 2009 às 1:54 pm)
PTrobrás - em homenagem a leitora Betina do artigo anterior (junho 8, 2009 às 11:32 am)
Petêroubrás – em homenagem a leitora Cris do artigo anterior (junho 7, 2009 às 10:49 pm)
PeTebras - em homenagem ao leitor Homo Anômallus do artigo anterior (junho 7, 2009 às 5:27 pm)
O que eu tenho a dizer da Petrobras é baseado em uma lembrança de fatos ocorridos alguns anos atrás. Eu estava hospedado no melhor hotel da cidade de Aracaju com muitas estrelas, e o hotel estava lotado de altos funcionários da Petrobrás em um evento da empresa. Segundo me informaram, todas as despesas estavam sendo bancadas pela Petrobras. Desde alimentação no melhor restaurante da cidade, tratamento de beleza para as mulheres dos funcionários com direito a serviços de manicure, cabeleireira e etc...
Nesse dia compreendi por que o Brasil tem a gasolina mais cara do mundo e de lá pra cá as coisas só pioraram. Me pergunto por que uma empresa que praticamente possui o monopólio do petróleo no Brasil tem 1150 funcionários no departamento de comunicação (jornalismo) e 650 advogados e ainda assim contrata empresas de comunicação e advocacia? Duvido que qualquer empresa de comunicação tenha esse número de jornalistas contratados. O objetivo é explorar “Petróleo” ou explorar a comunicação? Será que tem jornalista sujando as mãos de petróleo? Não tenho duvidas que se fosse uma empresa particular concorrendo com outras empresas a nossa gasolina seria muito mais barata. Será que do ponto de vista custo beneficio os brasileiros não teriam muito mais benefícios com um combustível barato? Certamente que sim.
Em vista da farra que eu presenciei no passado e as informações recentes só posso exigir a privatização da “Petrossauro” que já deveria estar extinta. Seguem algumas sugestões para o novo nome da empresa em vista de sua nova atividade de comunicação. Afinal 1150 funcionários, jornalistas, precisam trabalhar. Possivelmente todos que foram aprovados em concurso são muito bons jornalistas então vamos dar trabalho a eles.
Caro Reinaldo segue minhas sugestões de nomes e de uma nova enquete. Tenho certeza que você é muito melhor que eu para criar nomes e acho que seria muito interessante.
Sugestões de nomes:
Petrobras comunicações
Ptbras
Jornalbras
Petrojornalbras
Petrossauro em homenagem ao saudoso Roberto Campos que cunhou o termo
Petrossauronews - variante também em homenagem ao Roberto Campos
Petronewsbras!!! Achei chique misturar inglês e português. Chique do urtimo!!!!
Petronews
Petroção - Junção de Petrobras e comunicação
Petrocao – Junção de Petrobras e comunicação termo ideal para ser usado na era da internet
Petralhobras – em homenagem a leitora Inconformada do artigo anterior (junho 8, 2009 às 1:54 pm)
PTrobrás - em homenagem a leitora Betina do artigo anterior (junho 8, 2009 às 11:32 am)
Petêroubrás – em homenagem a leitora Cris do artigo anterior (junho 7, 2009 às 10:49 pm)
PeTebras - em homenagem ao leitor Homo Anômallus do artigo anterior (junho 7, 2009 às 5:27 pm)
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segunda-feira, 8 de junho de 2009
A verdadeira história do pré-sal
Por Adriano Pires, no Estadão:A história do setor de petróleo no Brasil apresenta duas grandes fases. A primeira foi iniciada quando o monopólio foi concedido à Petrobrás, no início dos anos 1950, após o sucesso da campanha “O Petróleo é Nosso”, uma rara situação em que as Forças Armadas brasileiras e os partidos de esquerda ficaram de um mesmo lado. Essa campanha culminou na aprovação da Lei nº 2.004, em 1952, que concedeu à Petrobrás o exercício do monopólio, exceto na distribuição de derivados. Mais tarde, o monopólio da Petrobrás foi incorporado à Constituição.
Durante essa fase a Petrobrás não cumpriu a missão, para a qual foi criada, de tornar o País autossuficiente, ou até exportador de petróleo. Esse fato colocou o Brasil no Guinness Book como o único país no mundo a possuir uma empresa monopolista estatal de um produto importado. Não conseguindo ser um produtor relevante de petróleo, a estratégia foi a de transformar a empresa numa monopolista na produção de derivados de petróleo para o mercado interno. Durante essa primeira fase, foi construído praticamente todo o parque de refino da Petrobrás. Ainda nessa fase, em razão do primeiro choque do petróleo, em 1973, o governo tornou mais flexível a legislação do setor e criou os contratos de risco, que não obtiveram resultados positivos no tocante ao aumento da produção de petróleo. Somente com o segundo choque do petróleo, em 1979, foi possível viabilizar a exploração offshore na Bacia de Campos. Entretanto, a missão principal da empresa de transformar o Brasil num país autossuficiente em petróleo não foi alcançada nessa primeira fase.
A segunda fase foi iniciada com a sanção do presidente da República Fernando Henrique Cardoso da Lei nº 9.478. Para quem não se lembra, sua aprovação resultou de uma batalha ferrenha, e até emocional, entre a base de apoio ao governo Fernando Henrique e a oposição, liderada pelo PT. Essa lei deu fim ao então intocável e sagrado monopólio da Petrobrás.
Durante todo o debate que precedeu a mudança da Constituição e a posterior aprovação da Lei nº 9.478, a oposição afirmava que por trás da proposta do governo estava um plano maquiavélico de enfraquecimento da Petrobrás. Diziam os críticos da lei que, com o fim do exercício do monopólio, as grandes multinacionais do petróleo tomariam conta do setor e a Petrobrás seria sucateada e privatizada.
Nada disso aconteceu. Ao contrário do que afirmavam as pitonisas pseudonacionalistas, a Lei do Petróleo inaugurou uma fase gloriosa da Petrobrás e do setor de petróleo brasileiro. Na realidade, foi o fim da “Petrossauro”, termo cunhado pelo saudoso Roberto Campos para descrever a Petrobrás daquela época. Nessa fase foi criada a Agência Nacional do Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis (ANP), pela mesma Lei nº 9.478, que de forma independente regulamentou a legislação e promoveu leilões de áreas que permitiram a entrada no setor de empresas privadas, no segmento de exploração e produção. Com a nova legislação, a Petrobrás ficou mais blindada contra intervenções políticas, fez parcerias com empresas que entraram no mercado brasileiro e finalmente cumpriu a sua missão de tornar o Brasil autossuficiente em petróleo.
É sempre bom lembrar que foi graças à independência dada pelo governo federal que a ANP pôde realizar os leilões, a partir de 1998, e uma das consequências foi a descoberta do pré-sal. As áreas do pré-sal pertenciam aos chamados blocos azuis que foram devolvidos pela Petrobrás antes de se iniciarem os leilões e o regime de concessões previsto na Lei nº 9.478. No leilão de 2000, a Petrobrás, em parceria com a BG e a Petrogal, adquiriu o que é conhecido hoje como Campo de Tupi. É interessante observar que todos os campos já descobertos no pré-sal integraram os leilões da ANP e em todos a Petrobrás tem parceiros e é a operadora. À exceção do Campo de Azulão, que é operado por uma empresa privada, no caso, a Exxon-Mobil. Portanto, sem os leilões promovidos pela ANP, a descoberta da camada pré-sal, com certeza, levaria mais tempo para ser anunciada ao mundo.
Portanto, não foram o governo do PT nem a atual direção da Petrobrás que descobriram o pré-sal. A história dessa descoberta, bem como da autossuficiência, começou a se concretizar a partir do momento em que o governo brasileiro entendeu que não fazia nenhum sentido econômico deixar que uma empresa estatal assumisse o monopólio do risco de explorar petróleo. Para dar fim a essa anomalia o governo da época abriu o mercado de petróleo no Brasil, permitindo a entrada de novos investimentos beneficiando a Petrobrás, que passou a ter maior liberdade de atuação e, com o seu quadro de funcionários altamente competentes, levou a empresa a bater todos os recordes de lucro e produção de petróleo.
É uma pena que o governo insista em nos colocar no túnel do tempo e nos levar de volta aos anos 50. Vamos resistir.
Durante essa fase a Petrobrás não cumpriu a missão, para a qual foi criada, de tornar o País autossuficiente, ou até exportador de petróleo. Esse fato colocou o Brasil no Guinness Book como o único país no mundo a possuir uma empresa monopolista estatal de um produto importado. Não conseguindo ser um produtor relevante de petróleo, a estratégia foi a de transformar a empresa numa monopolista na produção de derivados de petróleo para o mercado interno. Durante essa primeira fase, foi construído praticamente todo o parque de refino da Petrobrás. Ainda nessa fase, em razão do primeiro choque do petróleo, em 1973, o governo tornou mais flexível a legislação do setor e criou os contratos de risco, que não obtiveram resultados positivos no tocante ao aumento da produção de petróleo. Somente com o segundo choque do petróleo, em 1979, foi possível viabilizar a exploração offshore na Bacia de Campos. Entretanto, a missão principal da empresa de transformar o Brasil num país autossuficiente em petróleo não foi alcançada nessa primeira fase.
A segunda fase foi iniciada com a sanção do presidente da República Fernando Henrique Cardoso da Lei nº 9.478. Para quem não se lembra, sua aprovação resultou de uma batalha ferrenha, e até emocional, entre a base de apoio ao governo Fernando Henrique e a oposição, liderada pelo PT. Essa lei deu fim ao então intocável e sagrado monopólio da Petrobrás.
Durante todo o debate que precedeu a mudança da Constituição e a posterior aprovação da Lei nº 9.478, a oposição afirmava que por trás da proposta do governo estava um plano maquiavélico de enfraquecimento da Petrobrás. Diziam os críticos da lei que, com o fim do exercício do monopólio, as grandes multinacionais do petróleo tomariam conta do setor e a Petrobrás seria sucateada e privatizada.
Nada disso aconteceu. Ao contrário do que afirmavam as pitonisas pseudonacionalistas, a Lei do Petróleo inaugurou uma fase gloriosa da Petrobrás e do setor de petróleo brasileiro. Na realidade, foi o fim da “Petrossauro”, termo cunhado pelo saudoso Roberto Campos para descrever a Petrobrás daquela época. Nessa fase foi criada a Agência Nacional do Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis (ANP), pela mesma Lei nº 9.478, que de forma independente regulamentou a legislação e promoveu leilões de áreas que permitiram a entrada no setor de empresas privadas, no segmento de exploração e produção. Com a nova legislação, a Petrobrás ficou mais blindada contra intervenções políticas, fez parcerias com empresas que entraram no mercado brasileiro e finalmente cumpriu a sua missão de tornar o Brasil autossuficiente em petróleo.
É sempre bom lembrar que foi graças à independência dada pelo governo federal que a ANP pôde realizar os leilões, a partir de 1998, e uma das consequências foi a descoberta do pré-sal. As áreas do pré-sal pertenciam aos chamados blocos azuis que foram devolvidos pela Petrobrás antes de se iniciarem os leilões e o regime de concessões previsto na Lei nº 9.478. No leilão de 2000, a Petrobrás, em parceria com a BG e a Petrogal, adquiriu o que é conhecido hoje como Campo de Tupi. É interessante observar que todos os campos já descobertos no pré-sal integraram os leilões da ANP e em todos a Petrobrás tem parceiros e é a operadora. À exceção do Campo de Azulão, que é operado por uma empresa privada, no caso, a Exxon-Mobil. Portanto, sem os leilões promovidos pela ANP, a descoberta da camada pré-sal, com certeza, levaria mais tempo para ser anunciada ao mundo.
Portanto, não foram o governo do PT nem a atual direção da Petrobrás que descobriram o pré-sal. A história dessa descoberta, bem como da autossuficiência, começou a se concretizar a partir do momento em que o governo brasileiro entendeu que não fazia nenhum sentido econômico deixar que uma empresa estatal assumisse o monopólio do risco de explorar petróleo. Para dar fim a essa anomalia o governo da época abriu o mercado de petróleo no Brasil, permitindo a entrada de novos investimentos beneficiando a Petrobrás, que passou a ter maior liberdade de atuação e, com o seu quadro de funcionários altamente competentes, levou a empresa a bater todos os recordes de lucro e produção de petróleo.
É uma pena que o governo insista em nos colocar no túnel do tempo e nos levar de volta aos anos 50. Vamos resistir.
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Custo de obra de gasoduto da Petrobras cresce 84%
Por Elvira Lobato, na Folha:
Documento obtido pela Folha revela que o gasoduto Urucu-Manaus, da Petrobras, custará quase o dobro do que a estatal previa, ao iniciar a obra, em 2006. O orçamento saltou de R$ 2,4 bilhões para R$ 4,58 bilhões, em março deste ano. Uma diferença de 84%.
Mais um aditivo contratual, de R$ 200 milhões, segundo o documento, está sendo negociado entre a Petrobras e o consórcio Consag (das construtoras Andrade Gutierrez e Carioca Engenharia), responsável pela construção do trecho do gasoduto entre Coari e Anamã, mas a estatal diz que “no momento” não há tal articulação.
Os aditivos nos contratos estão entre os objetos de investigação da CPI da Petrobras.
O gasoduto Urucu-Manaus está sendo construído para transportar o gás natural da região petrolífera de Urucu até Manaus. O objetivo é substituir o consumo de óleo diesel por gás natural nas termoelétricas que atendem a cidade e mais sete municípios.
Os dados sobre o preço do gasoduto constam de um relatório do comitê de representantes da Eletrobrás, Petrobras, Manaus Energia e Cigás ( Companhia de Gás do Amazonas), encarregado de avaliar o custo do transporte do gás natural.
Trata-se de um documento para uso interno das empresas, ao qual a reportagem teve acesso. O relatório faz um retrospecto dos contratos e dos aditivos autorizados até março.
Embora a Petrobras tenha autonomia para contratar grandes obras sem licitação pública, por força do decreto 2745/98, o Tribunal de Contas da União tem questionado os aditivos contratuais acima de 25%, limite permitido por lei.
Com o encarecimento do gasoduto, aumenta também a tarifa de venda do gás natural. Os contratos assinados, em 2006, pela Petrobras com a Cia Amazonas de Gás e Manaus Energia, para fornecimento do gás de Urucu, previam uma tarifa de transporte do gás de R$ 9,20 por MMBtu (ou R$ 0,343 por metro cúbico). Em dezembro de 2008, o cálculo estava em R$ 13,11 por MMBtu (R$ 0,489 por metro cúbico), alta de 42%.
Documento obtido pela Folha revela que o gasoduto Urucu-Manaus, da Petrobras, custará quase o dobro do que a estatal previa, ao iniciar a obra, em 2006. O orçamento saltou de R$ 2,4 bilhões para R$ 4,58 bilhões, em março deste ano. Uma diferença de 84%.
Mais um aditivo contratual, de R$ 200 milhões, segundo o documento, está sendo negociado entre a Petrobras e o consórcio Consag (das construtoras Andrade Gutierrez e Carioca Engenharia), responsável pela construção do trecho do gasoduto entre Coari e Anamã, mas a estatal diz que “no momento” não há tal articulação.
Os aditivos nos contratos estão entre os objetos de investigação da CPI da Petrobras.
O gasoduto Urucu-Manaus está sendo construído para transportar o gás natural da região petrolífera de Urucu até Manaus. O objetivo é substituir o consumo de óleo diesel por gás natural nas termoelétricas que atendem a cidade e mais sete municípios.
Os dados sobre o preço do gasoduto constam de um relatório do comitê de representantes da Eletrobrás, Petrobras, Manaus Energia e Cigás ( Companhia de Gás do Amazonas), encarregado de avaliar o custo do transporte do gás natural.
Trata-se de um documento para uso interno das empresas, ao qual a reportagem teve acesso. O relatório faz um retrospecto dos contratos e dos aditivos autorizados até março.
Embora a Petrobras tenha autonomia para contratar grandes obras sem licitação pública, por força do decreto 2745/98, o Tribunal de Contas da União tem questionado os aditivos contratuais acima de 25%, limite permitido por lei.
Com o encarecimento do gasoduto, aumenta também a tarifa de venda do gás natural. Os contratos assinados, em 2006, pela Petrobras com a Cia Amazonas de Gás e Manaus Energia, para fornecimento do gás de Urucu, previam uma tarifa de transporte do gás de R$ 9,20 por MMBtu (ou R$ 0,343 por metro cúbico). Em dezembro de 2008, o cálculo estava em R$ 13,11 por MMBtu (R$ 0,489 por metro cúbico), alta de 42%.
É HORA DE DESPRIVATIZAR A PETROBRAS!
Artigo de autoria de Reinaldo Azevedo http://veja.abril.com.br/blogs/reinaldo/
Publiquei o texto abaixo na madrugada de ontem. Não sei se todos vocês leram. A julgar pelo número de comentários até agora, creio que chegou a muita gente. Eu o mantenho aqui no alto da homepage por causa das informações nele contidas e porque ele ajuda a explicar o post que vem logo abaixo. Resolvi publicar algumas mensagens que vêm lá das sombras. Elas são ilustrativas do que está em curso.
*
A direção da Petrobras criou um blog chamado Fatos e Dados para supostamente prestar contas à opinião pública. Por que escrevo “supostamente”? Porque se trata, como está claro para quem navega por lá, de uma ferramenta de confronto. A empresa decidiu declarar guerra à imprensa — que essa gente costuma chamar de “mídia”. Isso prova, aliás, o quanto são ineficientes os blogueiros de aluguel que servem ao governismo. Justiça seja feita num particular: o blog da empresa ofende menos a língua do que, por exemplo, os apedeutismos da ratazana analfabeta ou do anão moral incapaz se empregar uma conjunção subordinativa. Os comentários aprovados pela equipe deixam claríssima a intenção: a imprensa ali só apanha e é considerada uma agente conspiradora. Jornalistas estão sendo demonizados pelos “leitores”. O teor dos comentários é o mesmo que se lê nos blogs do “jornalismo Franklinstein”.
Mas a Petrobras não pode ter um blog? Considerando o número de pessoas envolvidas com a área de comunicação, poderia ter uns 300. Esse, em particular, despreza uma noção mínima de ética na relação com a imprensa. Questões enviadas por jornalistas às assessorias que prestam serviço à Petrobras estão sendo publicadas no blog, com respostas que mal escondem o tom de permanente desafio — e, às vezes, de contido deboche. Ora, a regra firmada em todo o mundo democrático, onde a imprensa é um dos pilares do regime de liberdades públicas, supõe que as indagações de um jornalista são parte de seu trabalho e não podem ser expostas por ninguém a menos que ele autorize. Cinicamente, a empresa, por meio do blog, responde que não publicou os e-mails, mas apenas as perguntas que eles continham. Tenham paciência…
Se, das respostas dadas, faz-se uma reportagem com a qual a empresa não concorda, vá lá… Divulgar as questões no blog antes da reportagem é nada mais nada menos do que sabotagem do trabalho jornalístico, típico de quem acha que não tem de prestar contas à opinião pública. Indagado, um advogado por aí disse que isso não é ilegal. Ilegal, de fato, não é. Mas nem tudo o que não é ilegal é decente ou desejável. A menos que a direção da Petrobras e os comandantes do blog achem normal soltar pum em elevador e tirar meleca do nariz à mesa do jantar. Não são atos ilegais. Os exemplos são adequadamente asquerosos.
A Petrobras realmente é um portento. E usa a linguagem para esconder fatos, não para revelá-los. Explico o que digo. Leiam este trecho extraído do blog:
A Petrobras também esclarece que, ao contrário do publicado, conta com 1.150 pessoas em suas áreas de comunicação, número que inclui, entre concursados e contratados, todo o pessoal de apoio do administrativo, profissionais de publicidade, relações públicas, planejamento, gestão, marca e jornalistas. Além desses profissionais, esse número inclui todos os técnicos e profissionais que atuam nas questões de responsabilidade social e ambiental. Portanto, a informação de que são “1050 jornalistas contratados”, como cita o texto, não é verdadeira.
A verdade que interessa está no primeiro período, o resto é cascata: “A Petrobras também esclarece que, ao contrário do publicado, conta com 1.150 pessoas em suas áreas de comunicação”. Pouco importa se as pessoas da “área de comunicação” têm diploma de jornalismo, de farmácia, de massagista ou diploma nenhum. Sabem por que é um número escandaloso por definição? - Porque a Petrobras não produz a sua própria publicidade, como vocês sabem. Isso é feito por agências contratadas; - SÓ AGORA, POR CAUSA DA CPI, A EMPRESA CONTRATOU TRÊS EMPRESAS DE ASSESSORIA DE IMPRENSA, AO CUSTO DE R$ 90 MIL MENSAIS CADA, PARA CUIDAR DA, SE ME PERMITEM A TAUTOLOGIA, DE ASSESSORIA DE IMPRENSA!!! O que faz lá aquele batalhão? Ah, sim: o limite, nessa área, para contratações sem licitação, é de R$ 90 mil por contrato. Sendo a Petrobras o que é, contrataram logo três: a- uma das empresas responde aos jornalistas de TV e veículos impressos: b - outra monitora a Internet; c - uma terceira cuida da imagem da empresa no exterior.
Assim, meus caros, àqueles 1.150 (!!!!!!!!!!!!!!!!!) profissionais internos que cuidam da “área de comunicação”, devem-se somar aqueles das empresas contratadas que cuidam de publicidade, assessoria de imprensa, relações públicas etc. Alguns números nos ajudam a pensar e dão conta do descalabro: - Sabem quantos profissionais de redação (incluindo jornalistas, fotógrafos, área gráfica etc) fazem a VEJA, a maior revista do Brasil e a terceira maior do mundo? Resposta - 70. - Sabem quantos profissionais de redação (idem) fazem a Folha (incluindo revistas e suplementos especiais), o maior jornal do país? Resposta - entre 250 e 300, depende o período. - 300 também é número de referência para O Globo e Estadão.
Assim, somando-se os profissionais de VEJA, Folha, O Globo e Estadão, ainda não se chega ao pessoal “da área de comunicação” da Petrobras. Mesmo assim, por causa da CPI, a empresa contratou três empresas de assessoria de imprensa. E as perguntas a elas enviadas pelos jornalistas foram parar no… blog! Não custa lembrar: VEJA, Folha, O Globo e Estadão fazem produtos jornalísticos. Até onde se sabe, a área de atuação da Petrobras — boa parte dela, na prática, um monopólio — é outra. Chega a ser cômico que, com 1.150 profissionais ligados, como eles dizem, à “área de comunicação”, a empresa ainda precise recorrer a outras para cuidar da, ATENÇÃO!!!, “área de comunicação”.
A Petrobras é um país dentro do país. E não é de hoje. Nem é, de fato, deste governo. Mas, agora, as coisas se exacerbaram. As relações da empresa com o público assumiram as feições de José Sérgio Gabrielli, seu presidente, cuja agressividade no trato com a imprensa e com aqueles que se atrevem a pedir informações sobre a estatal é patente. Consideram uma ofensa o que é uma obrigação e um direito do cidadão. Não custa lembrar as muitas vezes em que este senhor foi claramente hostil à CPI — uma prerrogativa do Legislativo, um dos Poderes da República.
Contra a imprensa
Mal se disfarça a intenção: trata-se de tentar hostilizar a imprensa; de evidenciar o que seria a sua obsolescência; de empurrá-la para uma situação defensiva. Dia desses, Gabrielli fez referência à verba publicitária da Petrobras, sugerindo que os meios de comunicação são os maiores beneficiários dos gastos da empresa nessa área. Era uma espécie de chantagem. Era como se dissesse: “Nós lhes damos dinheiro, comportem-se”.
Trata-se, entendo, de um momento crucial para a grande imprensa: ou denuncia a manobra espúria, ou, de fato, se tornará caudatária de uma espécie de pistolagem moral. Mais uma vez, no governo Lula, os grandes veículos de comunicação são tratados como inimigos, a despeito, é bom deixar claro, de tanta colaboração. OU O JORNALISMO DENUNCIA O JOGO OU ESTARÁ OFERECENDO O PESCOÇO PARA NEGOCIAR COM A CORDA.
Medo
E, claro, agora é inescapável destacar: há um medo verdadeiramente pânico de que a investigação chegue para valer à empresa. O que é que essa gente tanto teme, a ponto de jogar no lixo qualquer prurido ético? Não sei. Eles devem saber. Não sou adepto da teoria do “quem não deve não teme” porque, no estado policial que se tentou implantar no Brasil, mais temem os que não devem. Ocorre que a mobilização da Petrobras contra a CPI beira a histeria. E olhem que o governo tem 8 dos 11 titulares da comissão.
De volta aos comentários
Ah, sim: leitores que criticam a empresa e defendem a investigação estão sendo barrados no baile. Mas passam os que defendem a Petrobras e atacam a imprensa e a “mídia”. É, eu também barro aqui os indesejáveis. Só que não faço blog com dinheiro de empresa estatal nem tenho a obrigação, já que não sou braço do estado, de abrigar as várias correntes de opinião.
Finalmente
Tucanos decidiram apresentar uma emenda que proíbe a privatização da Petrobras. É claro que, em si, é um absurdo, já que isso só é matéria constitucional em país bananeiro. Tá, corrijo-me: o Brasil é um país bananeiro, cheio de bananas, então não é um absurdo… A medida, em si esdrúxula, talvez seja mesmo necessária. Assim, tira-se da frente esse fantasma conveniente. Quem sabe, depois disso, a Petrobras possa ser, finalmente, estatizada, né?
É hora de fazer uma campanha: PELA DESPRIVATIZAÇÃO DA PETROBRAS!
Publiquei o texto abaixo na madrugada de ontem. Não sei se todos vocês leram. A julgar pelo número de comentários até agora, creio que chegou a muita gente. Eu o mantenho aqui no alto da homepage por causa das informações nele contidas e porque ele ajuda a explicar o post que vem logo abaixo. Resolvi publicar algumas mensagens que vêm lá das sombras. Elas são ilustrativas do que está em curso.
*
A direção da Petrobras criou um blog chamado Fatos e Dados para supostamente prestar contas à opinião pública. Por que escrevo “supostamente”? Porque se trata, como está claro para quem navega por lá, de uma ferramenta de confronto. A empresa decidiu declarar guerra à imprensa — que essa gente costuma chamar de “mídia”. Isso prova, aliás, o quanto são ineficientes os blogueiros de aluguel que servem ao governismo. Justiça seja feita num particular: o blog da empresa ofende menos a língua do que, por exemplo, os apedeutismos da ratazana analfabeta ou do anão moral incapaz se empregar uma conjunção subordinativa. Os comentários aprovados pela equipe deixam claríssima a intenção: a imprensa ali só apanha e é considerada uma agente conspiradora. Jornalistas estão sendo demonizados pelos “leitores”. O teor dos comentários é o mesmo que se lê nos blogs do “jornalismo Franklinstein”.
Mas a Petrobras não pode ter um blog? Considerando o número de pessoas envolvidas com a área de comunicação, poderia ter uns 300. Esse, em particular, despreza uma noção mínima de ética na relação com a imprensa. Questões enviadas por jornalistas às assessorias que prestam serviço à Petrobras estão sendo publicadas no blog, com respostas que mal escondem o tom de permanente desafio — e, às vezes, de contido deboche. Ora, a regra firmada em todo o mundo democrático, onde a imprensa é um dos pilares do regime de liberdades públicas, supõe que as indagações de um jornalista são parte de seu trabalho e não podem ser expostas por ninguém a menos que ele autorize. Cinicamente, a empresa, por meio do blog, responde que não publicou os e-mails, mas apenas as perguntas que eles continham. Tenham paciência…
Se, das respostas dadas, faz-se uma reportagem com a qual a empresa não concorda, vá lá… Divulgar as questões no blog antes da reportagem é nada mais nada menos do que sabotagem do trabalho jornalístico, típico de quem acha que não tem de prestar contas à opinião pública. Indagado, um advogado por aí disse que isso não é ilegal. Ilegal, de fato, não é. Mas nem tudo o que não é ilegal é decente ou desejável. A menos que a direção da Petrobras e os comandantes do blog achem normal soltar pum em elevador e tirar meleca do nariz à mesa do jantar. Não são atos ilegais. Os exemplos são adequadamente asquerosos.
A Petrobras realmente é um portento. E usa a linguagem para esconder fatos, não para revelá-los. Explico o que digo. Leiam este trecho extraído do blog:
A Petrobras também esclarece que, ao contrário do publicado, conta com 1.150 pessoas em suas áreas de comunicação, número que inclui, entre concursados e contratados, todo o pessoal de apoio do administrativo, profissionais de publicidade, relações públicas, planejamento, gestão, marca e jornalistas. Além desses profissionais, esse número inclui todos os técnicos e profissionais que atuam nas questões de responsabilidade social e ambiental. Portanto, a informação de que são “1050 jornalistas contratados”, como cita o texto, não é verdadeira.
A verdade que interessa está no primeiro período, o resto é cascata: “A Petrobras também esclarece que, ao contrário do publicado, conta com 1.150 pessoas em suas áreas de comunicação”. Pouco importa se as pessoas da “área de comunicação” têm diploma de jornalismo, de farmácia, de massagista ou diploma nenhum. Sabem por que é um número escandaloso por definição? - Porque a Petrobras não produz a sua própria publicidade, como vocês sabem. Isso é feito por agências contratadas; - SÓ AGORA, POR CAUSA DA CPI, A EMPRESA CONTRATOU TRÊS EMPRESAS DE ASSESSORIA DE IMPRENSA, AO CUSTO DE R$ 90 MIL MENSAIS CADA, PARA CUIDAR DA, SE ME PERMITEM A TAUTOLOGIA, DE ASSESSORIA DE IMPRENSA!!! O que faz lá aquele batalhão? Ah, sim: o limite, nessa área, para contratações sem licitação, é de R$ 90 mil por contrato. Sendo a Petrobras o que é, contrataram logo três: a- uma das empresas responde aos jornalistas de TV e veículos impressos: b - outra monitora a Internet; c - uma terceira cuida da imagem da empresa no exterior.
Assim, meus caros, àqueles 1.150 (!!!!!!!!!!!!!!!!!) profissionais internos que cuidam da “área de comunicação”, devem-se somar aqueles das empresas contratadas que cuidam de publicidade, assessoria de imprensa, relações públicas etc. Alguns números nos ajudam a pensar e dão conta do descalabro: - Sabem quantos profissionais de redação (incluindo jornalistas, fotógrafos, área gráfica etc) fazem a VEJA, a maior revista do Brasil e a terceira maior do mundo? Resposta - 70. - Sabem quantos profissionais de redação (idem) fazem a Folha (incluindo revistas e suplementos especiais), o maior jornal do país? Resposta - entre 250 e 300, depende o período. - 300 também é número de referência para O Globo e Estadão.
Assim, somando-se os profissionais de VEJA, Folha, O Globo e Estadão, ainda não se chega ao pessoal “da área de comunicação” da Petrobras. Mesmo assim, por causa da CPI, a empresa contratou três empresas de assessoria de imprensa. E as perguntas a elas enviadas pelos jornalistas foram parar no… blog! Não custa lembrar: VEJA, Folha, O Globo e Estadão fazem produtos jornalísticos. Até onde se sabe, a área de atuação da Petrobras — boa parte dela, na prática, um monopólio — é outra. Chega a ser cômico que, com 1.150 profissionais ligados, como eles dizem, à “área de comunicação”, a empresa ainda precise recorrer a outras para cuidar da, ATENÇÃO!!!, “área de comunicação”.
A Petrobras é um país dentro do país. E não é de hoje. Nem é, de fato, deste governo. Mas, agora, as coisas se exacerbaram. As relações da empresa com o público assumiram as feições de José Sérgio Gabrielli, seu presidente, cuja agressividade no trato com a imprensa e com aqueles que se atrevem a pedir informações sobre a estatal é patente. Consideram uma ofensa o que é uma obrigação e um direito do cidadão. Não custa lembrar as muitas vezes em que este senhor foi claramente hostil à CPI — uma prerrogativa do Legislativo, um dos Poderes da República.
Contra a imprensa
Mal se disfarça a intenção: trata-se de tentar hostilizar a imprensa; de evidenciar o que seria a sua obsolescência; de empurrá-la para uma situação defensiva. Dia desses, Gabrielli fez referência à verba publicitária da Petrobras, sugerindo que os meios de comunicação são os maiores beneficiários dos gastos da empresa nessa área. Era uma espécie de chantagem. Era como se dissesse: “Nós lhes damos dinheiro, comportem-se”.
Trata-se, entendo, de um momento crucial para a grande imprensa: ou denuncia a manobra espúria, ou, de fato, se tornará caudatária de uma espécie de pistolagem moral. Mais uma vez, no governo Lula, os grandes veículos de comunicação são tratados como inimigos, a despeito, é bom deixar claro, de tanta colaboração. OU O JORNALISMO DENUNCIA O JOGO OU ESTARÁ OFERECENDO O PESCOÇO PARA NEGOCIAR COM A CORDA.
Medo
E, claro, agora é inescapável destacar: há um medo verdadeiramente pânico de que a investigação chegue para valer à empresa. O que é que essa gente tanto teme, a ponto de jogar no lixo qualquer prurido ético? Não sei. Eles devem saber. Não sou adepto da teoria do “quem não deve não teme” porque, no estado policial que se tentou implantar no Brasil, mais temem os que não devem. Ocorre que a mobilização da Petrobras contra a CPI beira a histeria. E olhem que o governo tem 8 dos 11 titulares da comissão.
De volta aos comentários
Ah, sim: leitores que criticam a empresa e defendem a investigação estão sendo barrados no baile. Mas passam os que defendem a Petrobras e atacam a imprensa e a “mídia”. É, eu também barro aqui os indesejáveis. Só que não faço blog com dinheiro de empresa estatal nem tenho a obrigação, já que não sou braço do estado, de abrigar as várias correntes de opinião.
Finalmente
Tucanos decidiram apresentar uma emenda que proíbe a privatização da Petrobras. É claro que, em si, é um absurdo, já que isso só é matéria constitucional em país bananeiro. Tá, corrijo-me: o Brasil é um país bananeiro, cheio de bananas, então não é um absurdo… A medida, em si esdrúxula, talvez seja mesmo necessária. Assim, tira-se da frente esse fantasma conveniente. Quem sabe, depois disso, a Petrobras possa ser, finalmente, estatizada, né?
É hora de fazer uma campanha: PELA DESPRIVATIZAÇÃO DA PETROBRAS!
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Reinaldo Azevedo
domingo, 7 de junho de 2009
É HORA DE DESPRIVATIZAR A PETROBRAS!
Artigo de autoria de Reinaldo Azevedo http://veja.abril.com.br/blogs/reinaldo/
Não são 1050 mas 1.150 pessoas em suas áreas de comunicação da Petrobras!!!!
A direção da Petrobras criou um blog chamado Fatos e Dados para supostamente prestar contas à opinião pública. Por que escrevo “supostamente”? Porque se trata, como está claro para quem navega por lá, de uma ferramenta de confronto. A empresa decidiu declarar guerra à imprensa — que essa gente costuma chamar de “mídia”. Isso prova, aliás, o quanto são ineficientes os blogueiros de aluguel que servem ao governismo. Justiça seja feita num particular: o blog da empresa ofende menos a língua do que, por exemplo, os apedeutismos da ratazana analfabeta ou do anão moral incapaz se empregar uma conjunção subordinativa. Os comentários aprovados pela equipe deixam claríssima a intenção: a imprensa ali só apanha e é considerada uma agente conspiradora. Jornalistas estão sendo demonizados pelos “leitores”. O teor dos comentários é o mesmo que se lê nos blogs do “jornalismo Franklinstein”.
Mas a Petrobras não pode ter um blog? Considerando o número de pessoas envolvidas com a área de comunicação, poderia ter uns 300. Esse, em particular, despreza uma noção mínima de ética na relação com a imprensa. Questões enviadas por jornalistas às assessorias que prestam serviço à Petrobras estão sendo publicadas no blog, com respostas que mal escondem o tom de permanente desafio — e, às vezes, de contido deboche. Ora, a regra firmada em todo o mundo democrático, onde a imprensa é um dos pilares do regime de liberdades públicas, supõe que as indagações de um jornalista são parte de seu trabalho e não podem ser expostas por ninguém a menos que ele autorize. Cinicamente, a empresa, por meio do blog, responde que não publicou os e-mails, mas apenas as perguntas que eles continham. Tenham paciência…
Se, das respostas dadas, faz-se uma reportagem com a qual a empresa não concorda, vá lá… Divulgar as questões no blog antes da reportagem é nada mais nada menos do que sabotagem do trabalho jornalístico, típico de quem acha que não tem de prestar contas à opinião pública. Indagado, um advogado por aí disse que isso não é ilegal. Ilegal, de fato, não é. Mas nem tudo o que não é ilegal é decente ou desejável. A menos que a direção da Petrobras e os comandantes do blog achem normal soltar pum em elevador e tirar meleca do nariz à mesa do jantar. Não são atos ilegais. Os exemplos são adequadamente asquerosos.
A Petrobras realmente é um portento. E usa a linguagem para esconder fatos, não para revelá-los. Explico o que digo. Leiam este trecho extraído do blog:
A Petrobras também esclarece que, ao contrário do publicado, conta com 1.150 pessoas em suas áreas de comunicação, número que inclui, entre concursados e contratados, todo o pessoal de apoio do administrativo, profissionais de publicidade, relações públicas, planejamento, gestão, marca e jornalistas. Além desses profissionais, esse número inclui todos os técnicos e profissionais que atuam nas questões de responsabilidade social e ambiental. Portanto, a informação de que são “1050 jornalistas contratados”, como cita o texto, não é verdadeira.
A verdade que interessa está no primeiro período, o resto é cascata: “A Petrobras também esclarece que, ao contrário do publicado, conta com 1.150 pessoas em suas áreas de comunicação”. Pouco importa se as pessoas da “área de comunicação” têm diploma de jornalismo, de farmácia, de massagista ou diploma nenhum. Sabem por que é um número escandaloso por definição? - Porque a Petrobras não produz a sua própria publicidade, como vocês sabem. Isso é feito por agências contratadas; - SÓ AGORA, POR CAUSA DA CPI, A EMPRESA CONTRATOU TRÊS EMPRESAS DE ASSESSORIA DE IMPRENSA, AO CUSTO DE R$ 90 MIL MENSAIS CADA, PARA CUIDAR DA, SE ME PERMITEM A TAUTOLOGIA, DE ASSESSORIA DE IMPRENSA!!! O que faz lá aquele batalhão? Ah, sim: o limite, nessa área, para contratações sem licitação, é de R$ 90 mil por contrato. Sendo a Petrobras o que é, contrataram logo três: a- uma das empresas responde aos jornalistas de TV e veículos impressos: b - outra monitora a Internet; c - uma terceira cuida da imagem da empresa no exterior.
Assim, meus caros, àqueles 1.150 (!!!!!!!!!!!!!!!!!) profissionais internos que cuidam da “área de comunicação”, devem-se somar aqueles das empresas contratadas que cuidam de publicidade, assessoria de imprensa, relações públicas etc. Alguns números nos ajudam a pensar e dão conta do descalabro: - Sabem quantos profissionais de redação (incluindo jornalistas, fotógrafos, área gráfica etc) fazem a VEJA, a maior revista do Brasil e a terceira maior do mundo? Resposta - 70. - Sabem quantos profissionais de redação (idem) fazem a Folha (incluindo revistas e suplementos especiais), o maior jornal do país? Resposta - entre 250 e 300, depende o período. - 300 também é número de referência para O Globo e Estadão.
Assim, somando-se os profissionais de VEJA, Folha, O Globo e Estadão, ainda não se chega ao pessoal “da área de comunicação” da Petrobras. Mesmo assim, por causa da CPI, a empresa contratou três empresas de assessoria de imprensa. E as perguntas a elas enviadas pelos jornalistas foram parar no… blog! Não custa lembrar: VEJA, Folha, O Globo e Estadão fazem produtos jornalísticos. Até onde se sabe, a área de atuação da Petrobras — boa parte dela, na prática, um monopólio — é outra. Chega a ser cômico que, com 1.150 profissionais ligados, como eles dizem, à “área de comunicação”, a empresa ainda precise recorrer a outras para cuidar da, ATENÇÃO!!!, “área de comunicação”.
A Petrobras é um país dentro do país. E não é de hoje. Nem é, de fato, deste governo. Mas, agora, as coisas se exacerbaram. As relações da empresa com o público assumiram as feições de José Sérgio Gabrielli, seu presidente, cuja agressividade no trato com a imprensa e com aqueles que se atrevem a pedir informações sobre a estatal é patente. Consideram uma ofensa o que é uma obrigação e um direito do cidadão. Não custa lembrar as muitas vezes em que este senhor foi claramente hostil à CPI — uma prerrogativa do Legislativo, um dos Poderes da República.
Contra a imprensa
Mal se disfarça a intenção: trata-se de tentar hostilizar a imprensa; de evidenciar o que seria a sua obsolescência; de empurrá-la para uma situação defensiva. Dia desses, Gabrielli fez referência à verba publicitária da Petrobras, sugerindo que os meios de comunicação são os maiores beneficiários dos gastos da empresa nessa área. Era uma espécie de chantagem. Era como se dissesse: “Nós lhes damos dinheiro, comportem-se”.
Trata-se, entendo, de um momento crucial para a grande imprensa: ou denuncia a manobra espúria, ou, de fato, se tornará caudatária de uma espécie de pistolagem moral. Mais uma vez, no governo Lula, os grandes veículos de comunicação são tratados como inimigos, a despeito, é bom deixar claro, de tanta colaboração. OU O JORNALISMO DENUNCIA O JOGO OU ESTARÁ OFERECENDO O PESCOÇO PARA NEGOCIAR COM A CORDA.
Medo
E, claro, agora é inescapável destacar: há um medo verdadeiramente pânico de que a investigação chegue para valer à empresa. O que é que essa gente tanto teme, a ponto de jogar no lixo qualquer prurido ético? Não sei. Eles devem saber. Não sou adepto da teoria do “quem não deve não teme” porque, no estado policial que se tentou implantar no Brasil, mais temem os que não devem. Ocorre que a mobilização da Petrobras contra a CPI beira a histeria. E olhem que o governo tem 8 dos 11 titulares da comissão.
De volta aos comentários
Ah, sim: leitores que criticam a empresa e defendem a investigação estão sendo barrados no baile. Mas passam os que defendem a Petrobras e atacam a imprensa e a “mídia”. É, eu também barro aqui os indesejáveis. Só que não faço blog com dinheiro de empresa estatal nem tenho a obrigação, já que não sou braço do estado, de abrigar as várias correntes de opinião.
Finalmente
Tucanos decidiram apresentar uma emenda que proíbe a privatização da Petrobras. É claro que, em si, é um absurdo, já que isso só é matéria constitucional em país bananeiro. Tá, corrijo-me: o Brasil é um país bananeiro, cheio de bananas, então não é um absurdo… A medida, em si esdrúxula, talvez seja mesmo necessária. Assim, tira-se da frente esse fantasma conveniente. Quem sabe, depois disso, a Petrobras possa ser, finalmente, estatizada, né?
É hora de fazer uma campanha: PELA DESPRIVATIZAÇÃO DA PETROBRAS!
Não são 1050 mas 1.150 pessoas em suas áreas de comunicação da Petrobras!!!!
A direção da Petrobras criou um blog chamado Fatos e Dados para supostamente prestar contas à opinião pública. Por que escrevo “supostamente”? Porque se trata, como está claro para quem navega por lá, de uma ferramenta de confronto. A empresa decidiu declarar guerra à imprensa — que essa gente costuma chamar de “mídia”. Isso prova, aliás, o quanto são ineficientes os blogueiros de aluguel que servem ao governismo. Justiça seja feita num particular: o blog da empresa ofende menos a língua do que, por exemplo, os apedeutismos da ratazana analfabeta ou do anão moral incapaz se empregar uma conjunção subordinativa. Os comentários aprovados pela equipe deixam claríssima a intenção: a imprensa ali só apanha e é considerada uma agente conspiradora. Jornalistas estão sendo demonizados pelos “leitores”. O teor dos comentários é o mesmo que se lê nos blogs do “jornalismo Franklinstein”.
Mas a Petrobras não pode ter um blog? Considerando o número de pessoas envolvidas com a área de comunicação, poderia ter uns 300. Esse, em particular, despreza uma noção mínima de ética na relação com a imprensa. Questões enviadas por jornalistas às assessorias que prestam serviço à Petrobras estão sendo publicadas no blog, com respostas que mal escondem o tom de permanente desafio — e, às vezes, de contido deboche. Ora, a regra firmada em todo o mundo democrático, onde a imprensa é um dos pilares do regime de liberdades públicas, supõe que as indagações de um jornalista são parte de seu trabalho e não podem ser expostas por ninguém a menos que ele autorize. Cinicamente, a empresa, por meio do blog, responde que não publicou os e-mails, mas apenas as perguntas que eles continham. Tenham paciência…
Se, das respostas dadas, faz-se uma reportagem com a qual a empresa não concorda, vá lá… Divulgar as questões no blog antes da reportagem é nada mais nada menos do que sabotagem do trabalho jornalístico, típico de quem acha que não tem de prestar contas à opinião pública. Indagado, um advogado por aí disse que isso não é ilegal. Ilegal, de fato, não é. Mas nem tudo o que não é ilegal é decente ou desejável. A menos que a direção da Petrobras e os comandantes do blog achem normal soltar pum em elevador e tirar meleca do nariz à mesa do jantar. Não são atos ilegais. Os exemplos são adequadamente asquerosos.
A Petrobras realmente é um portento. E usa a linguagem para esconder fatos, não para revelá-los. Explico o que digo. Leiam este trecho extraído do blog:
A Petrobras também esclarece que, ao contrário do publicado, conta com 1.150 pessoas em suas áreas de comunicação, número que inclui, entre concursados e contratados, todo o pessoal de apoio do administrativo, profissionais de publicidade, relações públicas, planejamento, gestão, marca e jornalistas. Além desses profissionais, esse número inclui todos os técnicos e profissionais que atuam nas questões de responsabilidade social e ambiental. Portanto, a informação de que são “1050 jornalistas contratados”, como cita o texto, não é verdadeira.
A verdade que interessa está no primeiro período, o resto é cascata: “A Petrobras também esclarece que, ao contrário do publicado, conta com 1.150 pessoas em suas áreas de comunicação”. Pouco importa se as pessoas da “área de comunicação” têm diploma de jornalismo, de farmácia, de massagista ou diploma nenhum. Sabem por que é um número escandaloso por definição? - Porque a Petrobras não produz a sua própria publicidade, como vocês sabem. Isso é feito por agências contratadas; - SÓ AGORA, POR CAUSA DA CPI, A EMPRESA CONTRATOU TRÊS EMPRESAS DE ASSESSORIA DE IMPRENSA, AO CUSTO DE R$ 90 MIL MENSAIS CADA, PARA CUIDAR DA, SE ME PERMITEM A TAUTOLOGIA, DE ASSESSORIA DE IMPRENSA!!! O que faz lá aquele batalhão? Ah, sim: o limite, nessa área, para contratações sem licitação, é de R$ 90 mil por contrato. Sendo a Petrobras o que é, contrataram logo três: a- uma das empresas responde aos jornalistas de TV e veículos impressos: b - outra monitora a Internet; c - uma terceira cuida da imagem da empresa no exterior.
Assim, meus caros, àqueles 1.150 (!!!!!!!!!!!!!!!!!) profissionais internos que cuidam da “área de comunicação”, devem-se somar aqueles das empresas contratadas que cuidam de publicidade, assessoria de imprensa, relações públicas etc. Alguns números nos ajudam a pensar e dão conta do descalabro: - Sabem quantos profissionais de redação (incluindo jornalistas, fotógrafos, área gráfica etc) fazem a VEJA, a maior revista do Brasil e a terceira maior do mundo? Resposta - 70. - Sabem quantos profissionais de redação (idem) fazem a Folha (incluindo revistas e suplementos especiais), o maior jornal do país? Resposta - entre 250 e 300, depende o período. - 300 também é número de referência para O Globo e Estadão.
Assim, somando-se os profissionais de VEJA, Folha, O Globo e Estadão, ainda não se chega ao pessoal “da área de comunicação” da Petrobras. Mesmo assim, por causa da CPI, a empresa contratou três empresas de assessoria de imprensa. E as perguntas a elas enviadas pelos jornalistas foram parar no… blog! Não custa lembrar: VEJA, Folha, O Globo e Estadão fazem produtos jornalísticos. Até onde se sabe, a área de atuação da Petrobras — boa parte dela, na prática, um monopólio — é outra. Chega a ser cômico que, com 1.150 profissionais ligados, como eles dizem, à “área de comunicação”, a empresa ainda precise recorrer a outras para cuidar da, ATENÇÃO!!!, “área de comunicação”.
A Petrobras é um país dentro do país. E não é de hoje. Nem é, de fato, deste governo. Mas, agora, as coisas se exacerbaram. As relações da empresa com o público assumiram as feições de José Sérgio Gabrielli, seu presidente, cuja agressividade no trato com a imprensa e com aqueles que se atrevem a pedir informações sobre a estatal é patente. Consideram uma ofensa o que é uma obrigação e um direito do cidadão. Não custa lembrar as muitas vezes em que este senhor foi claramente hostil à CPI — uma prerrogativa do Legislativo, um dos Poderes da República.
Contra a imprensa
Mal se disfarça a intenção: trata-se de tentar hostilizar a imprensa; de evidenciar o que seria a sua obsolescência; de empurrá-la para uma situação defensiva. Dia desses, Gabrielli fez referência à verba publicitária da Petrobras, sugerindo que os meios de comunicação são os maiores beneficiários dos gastos da empresa nessa área. Era uma espécie de chantagem. Era como se dissesse: “Nós lhes damos dinheiro, comportem-se”.
Trata-se, entendo, de um momento crucial para a grande imprensa: ou denuncia a manobra espúria, ou, de fato, se tornará caudatária de uma espécie de pistolagem moral. Mais uma vez, no governo Lula, os grandes veículos de comunicação são tratados como inimigos, a despeito, é bom deixar claro, de tanta colaboração. OU O JORNALISMO DENUNCIA O JOGO OU ESTARÁ OFERECENDO O PESCOÇO PARA NEGOCIAR COM A CORDA.
Medo
E, claro, agora é inescapável destacar: há um medo verdadeiramente pânico de que a investigação chegue para valer à empresa. O que é que essa gente tanto teme, a ponto de jogar no lixo qualquer prurido ético? Não sei. Eles devem saber. Não sou adepto da teoria do “quem não deve não teme” porque, no estado policial que se tentou implantar no Brasil, mais temem os que não devem. Ocorre que a mobilização da Petrobras contra a CPI beira a histeria. E olhem que o governo tem 8 dos 11 titulares da comissão.
De volta aos comentários
Ah, sim: leitores que criticam a empresa e defendem a investigação estão sendo barrados no baile. Mas passam os que defendem a Petrobras e atacam a imprensa e a “mídia”. É, eu também barro aqui os indesejáveis. Só que não faço blog com dinheiro de empresa estatal nem tenho a obrigação, já que não sou braço do estado, de abrigar as várias correntes de opinião.
Finalmente
Tucanos decidiram apresentar uma emenda que proíbe a privatização da Petrobras. É claro que, em si, é um absurdo, já que isso só é matéria constitucional em país bananeiro. Tá, corrijo-me: o Brasil é um país bananeiro, cheio de bananas, então não é um absurdo… A medida, em si esdrúxula, talvez seja mesmo necessária. Assim, tira-se da frente esse fantasma conveniente. Quem sabe, depois disso, a Petrobras possa ser, finalmente, estatizada, né?
É hora de fazer uma campanha: PELA DESPRIVATIZAÇÃO DA PETROBRAS!
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Reinaldo Azevedo
Petrobras tem 650 advogados, mas gasta R$ 180 milhões com escritórios de advocacia
Artigo de autoria de Reinaldo Azevedo http://veja.abril.com.br/blogs/reinaldo/
Por isso temos o combustivel mais caro do mundo!!!
Por Rubens Valente e Ana Flor, na Folha:
Entre 1998 e 2009, a Petrobras assinou contratos de pelo menos R$ 180 milhões sem licitação com serviços externos de advocacia -apesar de ter um time de 650 advogados.
Os números foram fornecidos, a pedido da Folha, pela assessoria de comunicação da Petrobras. Segundo a empresa, os gastos vêm caindo desde 2008.
As contratações de advogados incluem a realização de pareceres por ex-ministros de cortes superiores, como Edson Vidigal, ex-presidente do STJ (Superior Tribunal de Justiça), que recebeu R$ 320 mil por dois pareceres, em 2007 e em 2008, sobre assuntos relacionados a servidores públicos.
“Muitas empresas, mesmo com setor jurídico próprio, em alguma situação específica, encomendam pareceres ou contratam escritórios. Meu escritório trabalha para outras empresas em São Paulo que têm departamento jurídico próprio. É normal, é legal, não é aético nem imoral”, disse Vidigal.
Magistrados
Na área de patrocínios, a empresa, que é alvo de CPI no Senado, injetou R$ 3,5 milhões em apoios a publicações e eventos para algumas das mais importantes entidades representativas de juízes, advogados e promotores de Justiça.
A maior parte dos recursos foi destinada a entidades relacionadas a juízes federais e trabalhistas, com R$ 2,13 milhões. Para entidades ligadas a promotores de Justiça, destinou R$ 830 mil.
Entre outros eventos, a Petrobras ajudou a financiar o 4º Encontro de Magistrados de São Paulo e Mato Grosso do Sul, realizado em maio de 2006 num hotel da estância turística de Águas de São Pedro (SP), o 5º Congresso de Magistrados Federais de São Paulo e Mato Grosso do Sul, realizado em abril num hotel de Campos do Jordão (SP), o 16º e o 17º congressos nacionais do Ministério Público (promotores estaduais) e o 8º encontro dos magistrados da 2ª Região (Rio de Janeiro e Espírito Santo).
Por isso temos o combustivel mais caro do mundo!!!
Por Rubens Valente e Ana Flor, na Folha:
Entre 1998 e 2009, a Petrobras assinou contratos de pelo menos R$ 180 milhões sem licitação com serviços externos de advocacia -apesar de ter um time de 650 advogados.
Os números foram fornecidos, a pedido da Folha, pela assessoria de comunicação da Petrobras. Segundo a empresa, os gastos vêm caindo desde 2008.
As contratações de advogados incluem a realização de pareceres por ex-ministros de cortes superiores, como Edson Vidigal, ex-presidente do STJ (Superior Tribunal de Justiça), que recebeu R$ 320 mil por dois pareceres, em 2007 e em 2008, sobre assuntos relacionados a servidores públicos.
“Muitas empresas, mesmo com setor jurídico próprio, em alguma situação específica, encomendam pareceres ou contratam escritórios. Meu escritório trabalha para outras empresas em São Paulo que têm departamento jurídico próprio. É normal, é legal, não é aético nem imoral”, disse Vidigal.
Magistrados
Na área de patrocínios, a empresa, que é alvo de CPI no Senado, injetou R$ 3,5 milhões em apoios a publicações e eventos para algumas das mais importantes entidades representativas de juízes, advogados e promotores de Justiça.
A maior parte dos recursos foi destinada a entidades relacionadas a juízes federais e trabalhistas, com R$ 2,13 milhões. Para entidades ligadas a promotores de Justiça, destinou R$ 830 mil.
Entre outros eventos, a Petrobras ajudou a financiar o 4º Encontro de Magistrados de São Paulo e Mato Grosso do Sul, realizado em maio de 2006 num hotel da estância turística de Águas de São Pedro (SP), o 5º Congresso de Magistrados Federais de São Paulo e Mato Grosso do Sul, realizado em abril num hotel de Campos do Jordão (SP), o 16º e o 17º congressos nacionais do Ministério Público (promotores estaduais) e o 8º encontro dos magistrados da 2ª Região (Rio de Janeiro e Espírito Santo).
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